RTP LAB no Cinemax Curtas
Como se transforma uma ideia numa primeira obra? Que espaço existe para experimentar outras narrativas, desafiar formatos e aproximar o serviço público das novas gerações? E como se constrói uma relação entre a visão de quem realiza e o contributo de quem interpreta? Estas foram algumas das questões que marcaram a passagem da RTP LAB pelo Cinemax Curtas, em duas emissões da temporada 2026/2027, transmitidas em setembro, pelas 00h05, na RTP2.
Gravados no Centro de Produção do Norte da RTP, no Porto, os dois programas foram apresentados por Tiago Alves e desenvolvidos em colaboração com a RTP LAB. Um encontro entre o laboratório criativo da RTP e um programa que faz da curta-metragem um espaço de descoberta de novos talentos e de valorização de autores, conjugando a exibição de filmes com entrevistas que ajudam a conhecer quem os cria.
Primeira emissão: uma década de experimentação e descoberta
O primeiro programa recebeu Rui Capitão, responsável de área da RTP LAB, para uma conversa sobre o percurso do laboratório, a coleção de projetos desenvolvidos e a missão que orienta o trabalho com novos criadores.
No ano em que celebra uma década de existência, a RTP LAB continua a afirmar-se como um espaço onde as ideias podem ganhar forma, sobretudo quando representam os primeiros passos de quem procura entrar no audiovisual. Desde 2016, a experimentação, o apoio ao talento emergente e a procura de novas linguagens fazem parte deste caminho.
A conversa com Tiago Alves trouxe para primeiro plano essa ligação entre oportunidade e criação: apoiar a materialização de ideias, abrir espaço a primeiras obras e acompanhar projetos que procuram fazer diferente. Propostas que desafiam as narrativas, exploram a tecnologia, cruzam géneros e questionam os próprios modelos de produção.
Rui Capitão em conversa com Tiago Alves.
À primeira parte da entrevista seguiu-se a exibição do episódio 4 de Lugar 54, colocando em diálogo a missão do laboratório e uma das obras que integram a sua coleção.
Com realização de Bernardo Lopes e Francisco Mira Godinho, Lugar 54 parte de um elemento comum, um lugar de estacionamento, para explorar cinco histórias e cinco géneros cinematográficos. Um mesmo espaço torna-se o ponto de partida para diferentes universos narrativos, num exercício que encontra na limitação do cenário uma possibilidade de criação.
De regresso à conversa, a segunda parte da entrevista com Rui Capitão deu continuidade ao olhar sobre o percurso da RTP LAB e a sua relação com as novas gerações. Aproximar-se destes públicos passa também por reconhecer os seus hábitos, os espaços onde encontram conteúdos e as linguagens com que se relacionam. É nesse contexto que o laboratório procura propostas originais, pensadas para diferentes plataformas e capazes de cruzar narrativa, tecnologia e criação.
Continuação da conversa entre Rui Capitão e Tiago Alves.
A primeira emissão terminou com o episódio 3 de Lugar 54, encerrando um programa que alternou a reflexão sobre o trabalho do laboratório com a apresentação de dois exemplos concretos da sua produção.
Segunda emissão: José Pimentão entre a interpretação e a realização
Uma semana depois, o Cinemax Curtas voltou ao universo da RTP LAB. Rui Capitão regressou à conversa com Tiago Alves, desta vez acompanhado por José Pimentão, ator de Lugar 54 e realizador de Três Tristes Tigres, dois projetos que integram a coleção do laboratório.
A presença de José Pimentão acrescentou à conversa a perspetiva de quem participa na criação a partir de diferentes lugares: diante da câmara, enquanto intérprete, e atrás dela, enquanto realizador. Ao olhar sobre a missão da RTP LAB juntou-se, assim, a experiência concreta de trabalhar nas histórias e de lhes dar forma.
Rui Capitão e José Pimentão em conversa com Tiago Alves.
Seguiu-se a exibição do episódio 2 de Lugar 54, protagonizado por José Pimentão, permitindo ao público conhecer o seu trabalho na série antes de a entrevista aprofundar a sua experiência na realização.
Dar espaço aos atores, construir uma visão em conjunto
Na segunda parte da conversa, o foco aproximou-se do processo criativo de José Pimentão e da realização de Três Tristes Tigres. A série, realizada por Pimentão e escrita por Louis Gering, acompanha três mulheres em momentos decisivos das suas vidas, colocando em questão escolhas, princípios e liberdades, numa reflexão sobre amor, intimidade e confiança.
A partir dessa experiência, José Pimentão falou sobre a relação entre a visão de quem realiza e o espaço que é dado aos atores para contribuírem para a obra. Um trabalho em que a interpretação não se limita a cumprir uma intenção previamente definida: traz também a sensibilidade, a experiência e as propostas de cada ator para aquilo que a narrativa e o filme pedem.
Entre ser ator e assumir a realização, a conversa destacou essa dimensão partilhada da criação. Dar espaço aos intérpretes para colocarem parte de si no trabalho implica encontrar um equilíbrio entre uma visão de conjunto e os contributos que a podem enriquecer.
Este momento incluiu também a apresentação do trailer de Três Tristes Tigres, aproximando a reflexão sobre o processo de realização das imagens e do universo da série.
Continuação da conversa com Rui Capitão e José Pimentão, com destaque para a realização de Três Tristes Tigres e apresentação do trailer.
Depois da entrevista, a exibição do episódio 1 de Lugar 54 encerrou o segundo programa e esta colaboração entre o Cinemax Curtas e a RTP LAB.
Das ideias às obras, das obras aos públicos
Ao longo destas duas emissões, houve espaço para conhecer projetos, mas também para pensar no que permite que eles aconteçam: a oportunidade de começar, a liberdade de experimentar e a colaboração entre diferentes olhares.
No ano do seu décimo aniversário, a passagem da RTP LAB pelo Cinemax Curtas reuniu essas dimensões num mesmo espaço. À conversa sobre a missão do laboratório juntaram-se as obras e a experiência de quem as faz, dando a conhecer não apenas o resultado, mas também os processos e as pessoas que fazem parte deste percurso.
Porque apoiar novas vozes é também dar-lhes espaço para experimentar, criar e chegar ao público.
