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O Futuro das Séries Passa Por Aqui

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O Séries em Série 2026 confirmou aquilo que já se sente há algum tempo no setor: a ficção nacional está inquieta. E isso é uma boa notícia.

O evento voltou a reunir num mesmo espaço produtores independentes, criadores emergentes, argumentistas, realizadores, atores, estudantes de audiovisual, decisores e equipas de canais, desta vez no Auditório Emílio Rui Vilar da Culturgest. Não foi apenas uma sucessão de apresentações. Foi um ambiente de conversa constante. Nos corredores discutiam-se modelos de financiamento, formatos curtos versus séries longas, o peso do digital, a necessidade de chegar ao público jovem e a urgência de contar histórias que reflitam o país real.

O catálogo apresentado mostrou diversidade. Houve projetos mais comerciais, propostas de autor, séries com ambição internacional e formatos claramente pensados para plataformas digitais. Sentiu-se menos medo de experimentar e mais consciência de que o público mudou. E que as séries também têm de mudar com ele.

Foi neste panorama que marcámos presença.

No palco do Séries em Série 2026 apresentámos os trailers de duas séries que estreiam brevemente no RTP Lab: “3000 Depois de Cristo” e “Ecos do Mar”. Não exibimos episódios completos. Mostrámos apenas o suficiente para revelar o tom, o universo e a identidade de cada projeto, deixando a experiência integral para a estreia.

“3000 Depois de Cristo”, uma antologia de ficção com dez episódios de doze minutos, foi apresentada como um exercício de imaginação futurista com um registo cómico e satírico. O trailer revelou um universo que olha para o ano 3000 para falar, na verdade, do presente. Sem desvendar demasiado, deixámos no ar a ideia de uma série que usa o absurdo como ferramenta crítica.

Já “Ecos do Mar”, série de seis episódios, trouxe um registo mais intimista e emocional, cruzando drama e fantasia. A premissa parte da história de um casal idoso que rejuvenesce após entrar no mar, mas no evento focámo-nos sobretudo na atmosfera, nas imagens e na intensidade que o projeto carrega. A história completa fica guardada para muito breve.

Um dos momentos mais especiais foi termos a equipa de “Ecos do Mar” connosco em palco. Elenco, criadores e equipa técnica estiveram presentes e partilharam palavras sobre o processo criativo e sobre o que significa estrear um projeto no nosso espaço. Foram recebidos por João Pedro Galveias, diretor da Direção de Conteúdos para o Público Jovem Linear e Digital, numa conversa que reforçou a importância de continuar a apostar em novas vozes e em narrativas que dialoguem com o público jovem, tanto no linear como no digital.

A nossa presença no Séries em Série 2026 não foi apenas simbólica. Representa aquilo que temos vindo a construir. O RTP Lab é, para nós, um território de primeiras obras, de equipas jovens, de formatos mais curtos e de linguagens que procuram novos caminhos. É um espaço onde experimentar não é exceção, é ponto de partida.

O evento deixou uma sensação clara. A ficção portuguesa está num ponto de transição. Há mais consciência estética, mais ambição técnica e uma vontade real de arriscar. Ao mesmo tempo, os desafios mantêm-se. Orçamentos exigentes, competição internacional, pressão por resultados e a necessidade constante de conquistar públicos fragmentados.

É precisamente nesse contexto que acreditamos que faz sentido continuar a criar espaço para testar ideias, para falhar e para acertar. “3000 Depois de Cristo” e “Ecos do Mar” são dois exemplos dessa aposta. Foram apresentados em trailer. Estreiam brevemente. Mas simbolizam algo maior do que duas novas séries.

Simbolizam a renovação.

O Séries em Série 2026 mostrou-nos que o setor está vivo, crítico e disposto a evoluir. E é nesse movimento que queremos continuar a estar. Aqui, onde o futuro das séries começa a ganhar forma.

“…A ficção nacional tem também uma presença forte na RTP Play, através de áreas como a RTP Lab e uma outra desenvolvida recentemente e liderada por João Galveias. “𝗡𝗲𝘀𝘁𝗲 𝗺𝗼𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼, 𝗲𝘀𝘁𝗮𝗺𝗼𝘀 𝗮 𝗽𝗿𝗼𝗱𝘂𝘇𝗶𝗿 𝟭𝟬 𝘀𝗲́𝗿𝗶𝗲𝘀 𝗲𝘅𝗰𝗹𝘂𝘀𝗶𝘃𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗱𝗶𝗴𝗶𝘁𝗮𝗹”, revela o diretor dos serviços digitais da RTP.”

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